MURILLO TORRES

Poemas


Quarta-feira , 18 de Março de 2009


 
 

A excomunhão da vítima

A excomunhão da vítima
( Por Miguezim da Princesa * )



I

Peço à musa do improviso

Que me dê inspiração,

Ciência e sabedoria,

Inteligência e razão,

Peço que Deus que me proteja

Para falar de uma igreja

Que comete aberração.



II

Pelas fogueiras que arderam

No tempo da Inquisição,

Pelas mulheres queimadas

Sem apelo ou compaixão,

Pensava que o Vaticano

Tinha mudado de plano,

Abolido a excomunhão.



III

Mas o bispo Dom José,

Um homem conservador,

Tratou com impiedade

A vítima de um estuprador,

Massacrada e abusada,

Sofrida e violentada,

Sem futuro e sem amor.



IV

Depois que houve o estupro,

A menina engravidou.

Ela só tem nove anos,

A Justiça autorizou

Que a criança abortasse

Antes que a vida brotasse

Um fruto do desamor.



V

O aborto, já previsto

Na nossa legislação,

Teve o apoio declarado

Do ministro Temporão,

Que é médico bom e zeloso,

E mostrou ser corajoso

Ao enfrentar a questão.



VI

Além de excomungar

O ministro Temporão,

Dom José excomungou

Da menina, sem razão,

A mãe, a vó e a tia

E se brincar puniria

Até a quarta geração.



VII

É esquisito que a igreja,

Que tanto prega o perdão,

Resolva excomungar médicos

Que cumpriram sua missão

E num beco sem saída

Livraram uma pobre vida

Do fel da desilusão.



VIII

Mas o mundo está virado

E cheio de desatinos:

Missa virou presepada,

Tem dança até do pepino,

Padre que usa bermuda,

Deixando mulher buchuda

E bolindo com os meninos.



IX

Milhões morrendo de Aids:

É grande a devastação,

Mas a igreja acha bom

Furunfar sem proteção

E o padre prega na missa

Que camisinha na lingüiça

É uma coisa do Cão.



X

E esta quem me contou

Foi Lima do Camarão:

Dom José excomungou

A equipe de plantão,

A família da menina

E o ministro Temporão,

Mas para o estuprador,

Que por certo perdoou,

O arcebispo reservou

A vaga de sacristão.





(*) Poeta popular, Miguezim de Princesa, é paraibano radicado em Brasília.

Escrito por Prof. Murillo Torres às 20:59:05
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Sábado , 18 de Outubro de 2008


POEMA - 18/ 10/ 08.

REFLEXÃO

Autor: Murillo Torres

 

Ver...

O que nem todos podem ver!

 

Sentir...

 O que apenas poucos conseguiriam sentir!

 

Ouvir...

O que somente um homem livre conseguiria ouvir!

 

Falar...

O que somente um coração racional poderia falar!

 

Um olhar profano?

Jamais conseguiria ler as entrelinhas.

 

Um coração profano?

Jamais conseguiria sentir o que realmente deve-se sentir...

O medo... A dúvida... O levaria ao desespero!

E as leviandades assolariam o seu ser.

 

Um ouvido profano?

Jamais conseguiria ouvir aquele tom.

Dentre as várias notas unidas sabiamente numa harmonia fraternal

Somente os melhores ouvidos conseguiriam captar aquela que deveria.

Uma voz profana?

Jamais conseguiria soletrar aquelas letras...

As sagradas letras cuja essência é pura Luz

 

Refletir... Refletir...

 

A morte???

Por que a temeria?

 

A vida???

Agora sim eu viveria!!!

 

Afinal?

Quem tudo arquitetou?

Senão Aquele que é a Luz que me ilumina?

 

 

Escrito por Prof. Murillo Torres às 01:56:21
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Quinta-feira , 18 de Janeiro de 2007


MILE [Autor: Murillo Torres]

Os grandes mares

que abarcam a terra de pólo a pólo

já foram Jardins das lindas Hespérides.

E, para que isso seja real

não é necessário que a todos isso seja dado a conhecer...

 

Minha alma

que abarca todo o meu corpo do meu dedo do pé ao meu último fio de cabelo

hoje é Jardim do mais puro e verdadeiro amor por ti.

Destarte, para que isso seja real

não é necessário que a todos isso seja dado a crer.

 

A mim bastará sentir.

A ti bastará saber.

 

Se quiseres arrebatar o teu entendimento de tudo isso que digo

a esferas superiores será possível,

se mergulhares como um pássaro livre

na grandeza do meu sentimento por ti,

para sentires o meu grande amor latente

no profundo do meu ser.

Escrito por Murillo Torres às 00:02:22
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Terça-feira , 16 de Janeiro de 2007


SCENT [AUTHOR: MURILLO TORRES]

I can smell the scent

Upon your skin 

So pure, So yours, And so mine

 

Pleasure - Desire - Fire - Love - Nudity

 

Your loving care makes me forget all things

Your wet tongue makes me sigh

Your lips, Your tongue, Your spittle,

cover me, driving me crazy

 

Pleasure - Desire - Fire - Love - Nudity 

I lick your back

I taste your flavor

I feel your pleasure

I feel your craziness

 

Pleasure - Desire - Fire - Love - Nudity

Escrito por Murillo Torres às 11:26:22
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Sexta-feira , 05 de Maio de 2006


TÍTULO: ORÁCULO - Parte 1 - AUTOR: Murillo Torres

 

Gotas cor de sangue correm sobre o  meu corpo!

É sangue?

Delírios?

Imaginações?

Revelação do porvir?

Ou brusca e juvenil invenção

de um simples mortal que pensa?

Ou acha que pensa?

 

Invenção?

Acho que não! Sinto dores, mas,

não estou doente.

Ou estou? Nem sei.

Não sou médico!

 

Talvez eu esteja doente. Talvez seja

o que chamam de febre: Achar que

uma flecha lançada possa ser recuperada,

achar que um grito possa ser engolido.

 

Espere um pouco!

Ali eu vejo um caçador:

Ele volta com a mesma flecha que lançou.

 

Ali também eu vejo alguém furioso:

Seu coração está cheio de rancor, mas não grita.

Escrito por Murillo Torres às 22:37:27
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TÍTULO: ORÁCULO - Parte 2 - AUTOR: Murillo Torres

É um paradoxo?

Essas cenas me contradizem?

 

Não, acho que não!!!

 

Você pensou que era de um gume a faca,

pegou do outro lado, mas se cortou

porque se enganou:

 

Quando digo que uma flecha lançada    não pode ser recuperada

falo  no  sentido  de  que  

se você  errou o alvo

a presa fugiu.

 

Quando digo que um grito não pode ser engolido

falo no sentido de que qualquer reação

- patente ou oculta -

é a reação do grito que não foi engolido.

 

Ah! Você não me entendeu?

Infelizmente, terei de dizer:

É problema seu!

Escrito por Murillo Torres às 22:36:25
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TÍTULO: SEPULTURA - Parte 1 - AUTOR: Murillo Torres

Traçar caminhos

não é como resolver uma

simples subtração.

É pensar, chorar, sorrir, cantar.

 

É tropeçar e levantar, é

acreditar no amanhã, é

acreditar que tudo pode mudar.

 

Mas,

sempre existe o lado obscuro:

Onde está o bem

existe o mal.

 

Pessoas que se acham tão supremas

nem sabem:

Não  valem  as excreções do mais imundo animal.

 

“Espada inflamante é o rancor.

“Espada inflamante pode ser o amor.” 

Já o medo é outra coisa: 

É o musgo que carcome

a essência da beleza, contraindo-a

e dissipando a imperfeição,

o ódio, a loucura.

Escrito por Murillo Torres às 22:19:54
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TÍTULO: SEPULTURA - Parte 2 - AUTOR: Murillo Torres

Como reagir? Como enfrentar?

Tudo se tornou tão normal

e ineficaz. Nem os sábios

têm a solução, nem os anjos, nem os monges.

 

Todos os dias

cavamos - um punhado - a nossa própria sepultura.

 

Quando seremos enterrados?

Você sabe?

“- Eu não sei.” “- Eu também não sei.”

“- Eu não sei.” “- Eu também não.”

Escrito por Murillo Torres às 22:19:18
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TÍTULO: CHICO VELHO PARA OS RIBEIRINHOS - AUTOR: Murillo Torres

Minha vida anda errada. Algo

torto na estrada. Vou levando

a minha cruz

no peito.

Esse é o meu leito.

 

Vem correndo para mim – Juazeiro diz. Vem sorrindo assim – Petrolina diz.

Vem me fazer feliz – Sento-Sé diz.

 

Tento matar tua sede

e tu me matas de desgosto:

Quero reavivamento e tu queres

me transpor.

 

Vem correndo para mim – Casa Nova diz.

Vem sorrindo assim – Sobradinho diz.

Vem me fazer feliz – Remanso diz.

 

Escorpiões trafegam

sobre os olhos de uma flor.

Seu veneno corre em veias

de lacaios perfumados.

 

Sonho com a minha morte.

A cada lágrima mais forte

vem um sonho ruim.

Escrito por Murillo Torres às 22:13:43
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TÍTULO: LIXO INTELECTUAL - AUTOR: Murillo Torres

Continuemos andando

como há cem anos.

Continuemos comendo

o que os nossos ancestrais comiam

há dois mil anos.

Continuemos, continuemos.

 

Continuemos marchando

em prol da ignorância.

Continuemos ouvindo

o que nem os nossos ancestrais

suportariam ouvir.

Continuemos, continuemos.

 

Continuemos acreditando

em tudo o que dizem.

Continuemos vestindo

a tendência da moda.

Continuemos, continuemos.

 

“Certo dia um grande sábio escreveu

“– a dedo e merda –

“num pedaço de papel higiênico:

“’Já que tá dentro deixa’.”

Escrito por Murillo Torres às 22:09:54
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TÍTULO: IGNORÂNCIA - Parte 1 - AUTOR: Murillo Torres

 

Realismo! Realismo!

Realismo formal, realismo mágico,

realismo filosófico, realismo crítico,

realismo imediato.

Realismo! Realismo!

 

Realismo moderado, realismo ingênuo,

realismo  natural, realismo conceitual,

realismo empírico, científico.

Realismo! Realismo!

 

A qualidade do que é real.

Mas, o que é real?

E o que não é real?

 

Escrito por Murillo Torres às 22:07:52
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TÍTULO: IGNORÂNCIA - Parte 2 - AUTOR: Murillo Torres

 

Rebeijar a dor?

Fazer amor?

Teatro? Enfado?

Replay? O flash?

O céu? A terra?

A terra! A terra!

Surrealismo! Surrealismo!

Super-realismo? Supra-realismo?

Inconsciência?

Briga irracional!

Arte? Cultura?

Política?

Loucura!

 

Surribar o amor!

Adubar a dor?

Surdez?

Surdimutismo?

Idiotismo!

 

O idiotismo idiota que idiotiza

ainda mais o que já é.

Ignorância! Ignorância!

A inteligência da burrice!

Ou a burrice da inteligência?

Ignorância! Ignorância!

Escrito por Murillo Torres às 22:06:33
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TÍTULO: ESTAÇÕES - Parte 1 - AUTOR: Murillo Torres

As estações confundem-se.

As estações são frágeis.

 

Perséfone, por favor,

não me deixes perder a sensatez.

Não me deixes, não me deixes.

Não me deixes esquecer tudo o que sei:

Que tudo o que há

não haveria não fosse tu.

 

Isso é mentira!

Mais uma de tantas outras.

E eu nem queria rir.

 

Hades, onde estás?

Transando com ela?

Ou fazendo...

um boom econômico no mundo,

uma catástrofe mundial,

guerras,

paz...

Eros, por favor,

me deixes enlouquecer.

Me deixes, me deixes.

Não   me   faças   me   lembrar  o  que  eu sonhei:

 

Que tudo o que há

não haveria não fosse tu.

Escrito por Murillo Torres às 22:04:38
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TíTULO: ESTAÇÕES - Parte 2 - AUTOR: Murillo Torres

 

Mas, isso é mentira!

Mais uma de tantas outras.

 

Perséfone, Perséfone,

estou clamando por ti.

Perséfone, tens que me ouvir.

Acaso sou eu o pior dos piores e

desprezíveis vampiros

que sugam o pó até a última gota?

O pó, minha Perséfone! O pó...

O passaporte para o inferno

num itinerário que passa

pelo céu terreno e lacônico

que um dia todos desejaram viver.

Mas, esqueceram

que o real não poderia se confundir

com o imaginário

e o que pensaram ser não foi

nem nunca será

 

Perséfone, onde estás?

 

Perséfone, Perséfone!!!

Escrito por Murillo Torres às 22:02:28
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TÍTULO: SINE QUA NON - Parte 1 - AUTOR: Murillo Torres

 

Meu casulo asiático, dou-te

mel, sombra e calor,

amo-te como um filho, ensino-te

a sobreviver.

 

Não sou xenomaníaco

mas sinto que gosto.

 

Chegamos ao busílis, fomos

ao ‘acro’ da vida,

ao nirvana.

 

Você, após a quase volúpia,

tenta dormir

- belicoso - símil a mim.

Escrito por Murillo Torres às 21:59:18
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TÍTULO: SINE QUA NON - Parte 2 - AUTOR: Murillo Torres

Sua necrobeleza é ícone de dor.

Amargura tal qual absinto, cujo odor

me faz ofegar e por fim

chorar.

 

Um prólogo sincrônico ao leito de morte,

só tu és idôneo e faz, levando-me ao perigeu.

 

Meu casulo asiático, assim

te chamo e te clamo.

Sei, tu és mais que raro, tu és

feminil-divinal.

 

Não é psicose:

Você está doente e contente,

fracassado e feliz.

 

Talvez deixes de existir, mas

não morras sem mim.

Deixarei de existir

se tu deixares.

 

Diga também que me amas

pois eu quero ouvir.

Meu casulo asiático,

se não for assim,

não te deixarei ir.

Escrito por Murillo Torres às 21:56:38
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TÍTULO: GUERRA - AUTOR: Murillo Torres

Jesus - bendito ser - é maldito

para muitos.

Satanás - maldito ser - é bendito

para outros.

 

Razão sarcástica,

o jogo de interesses,

palavras, ideologias:

Bélica paz.

 

A burrice e a sabedoria,

a razão e o tesão,

- transversão –

o normal e o anormal,

o plausível e o desprezível.

 

Palavras, ideologias.

Escrito por Murillo Torres às 21:46:18
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TÍTULO: MÁSCARAS - AUTOR: Murillo Torres

Digo sempre o que não sinto

pra não me ferir.

Penso sempre o que não devo

e isso é ruim.

 

Sei que todas as pessoas

mesmo sem querer

alimentam sentimentos

que não devem ter.

 

Danem-se as rimas melódicas

e as imitações.

O que importa é o que se sente,

o que se pensa, o que

se faz

ou se não faz.

Escrito por Murillo Torres às 21:45:06
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TÍTULO: TÉDIO - AUTOR: Murillo Torres

 

Olhe - se puder -

Sinta - se possível -

Perceba o que acontece:

 

Na   vida  dou  descarga  quando  vou  ao

[banheiro,

arrancaram as minhas unhas, cortaram

os meus dedos, amputaram    

a minha cabeça numa

guilhotina.

E  agora  ela  pertence  aos  urubus  que a

[rodeiam.

Beliscam os meus olhos, mastigam

a minha língua

como chiclete.

 

Na Espanha - os meus braços; para a Rússia - os meus ouvidos voaram; na Cibéria - as minhas pernas; em grutas - as minhas lágrimas; nas nuvens - o meu pensamento;

no prato - o vômito,

no copo - o álcool.  

Escrito por Murillo Torres às 21:39:40
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Quinta-feira , 04 de Maio de 2006


EROTIA - Parte 1

Sinto o teu cheiro e o sabor da tua pele

tão pura,

tão tua

e também minha.

 

Teu   carinho   faz-me  esquecer  todas  as

[coisas,

tua língua faz-me suspirar:

Falo pra você.

Falo completo...

Tua mão...

Teus lábios...

Tua língua...

Teus lábios...

Tua língua...

 

Tua úmida saliva me envolve.

Prazer...

Loucura....

Nudez

minha e tua.

 

Percorro o teu dorso com a minha língua

até  chegar  à  parte  mais baixa da região

[do glúteo,

degusto o teu sabor,

salivo-te,

sinto o teu prazer,

sinto-te enlouquecer.

Enlouqueço.

Escrito por Murillo Torres às 11:38:04
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Erotia - Parte 2

Banho-te com o branco vinho

envelhecido, cujo sabor

é o da mais doce uva

e bebo-o e bebo-te.

 

Mordo-te...

Pedes me um tapa...

Dou-te dois.

 

Giro-te ao normal e

a minha língua faz de ti feliz.

Peito em língua...

Língua em língua...

Tu ficas mais louca.

E enlouqueço muito mais.

 

Meu cavalo agora está à porta do castelo,

sente-se na obrigação de entrar

e o faz então...

len...

ta...

men...

te...

Levando-te à mais louca alucinação,

um sentimento de alcance do tão esperado desejo

seguido pelas múltiplas sensações e gemidos.

 

Num movimento compassado,

binário...

agalopado...

dou-te orgasmo

e a mim também, meu amor.

 

Meu amor,

apaguei todas as luzes

pra te ver melhor,

já que não estás aqui.

Escrito por Murillo Torres às 11:36:32
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MINHAS MÃOS

Como uma foice fere a tristeza

penetrando o coração

e a divisão do espírito e da alma

e as articulações sem cartilagem

e as conjunturas.

 

Vem a dor

e toma conta de mim.

Estou frágil

como uma criança que mama.

É o meu cansaço:

Não aprendi a suportar a dor,

não me acostumo. E

até poderia

se tu estivesses aqui

mas não estás.

 

“Mostra-me as tuas mãos.

“Se não estiverem limpas

“é melhor não tê-las.”

 

Foi o que fiz

e me arrependo amarguradamente.

Hoje não tenho as mãos

e isso dói ainda mais porque eu sei:

eu poderia tê-las lavado.

 

Sei que poderia.

Escrito por Murillo Torres às 11:08:03
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AS CORES

O azul

eu achava tão bonito. Mas

conheci uma outra cor.

Essa cor:

Nome indecorável, complexo,

indefinível,

me fez ver

que o azul não é tão bonito assim.

Escrito por Murillo Torres às 11:07:14
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TÚMULO

Compreensão do que é ininteligível,

explicação do que é inexplicável,

imaginação do que não existe,

esclarecimento do que estava escuro.

 

Centralização do que é inconcentrável,

vaticinação do que já é passado,

obscurecimento do que não é oculto,

Prognóstico do que já é jaz.

 

Paradoxo vital que me envolve:

A ferida que sarou e ainda dói,

a dor da ferida que ainda não se criou.

 

Sempre a dor, sempre

o medo,

sempre o túmulo.

Escrito por Murillo Torres às 11:06:26
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ALÉM

Ali eu vi

alguém passar.

 

Era o sol? Era

a lua?

 

Não! Era

a felicidade. Mas,

já passou.

 

Escrito por Murillo Torres às 11:05:28
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INDIO

A ponta do meu arco quebrou,

minha flecha está pensa.

Quem fez isso?

De quem é a culpa?

 

Guia-me, guia-me, por favor. Pois

não consigo enxergar. É que

estacas perfuraram os meus olhos.

 

E  a  noite  era  tão  calma  quando não te

[conhecia.

 

Demônios, demônios de alvas peles, destruidores de mentes,

lacaios perfumados que usam

as palavras de forma envilecida

proferindo mentiras.

 

E em troca de migalhas conseguem o ouro.

 

Amaldiçoada aquela hora em que conheci

[o espelho.

 

Matem-me logo, matem-me agora.

Aniquilem a minha carne ou

a devorem.

 

Amaldiçoada aquela hora em que conheci

[o espelho.

 

Amaldiçoada   aquela   hora   em   que  te

[conheci.

Escrito por Murillo Torres às 11:02:45
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BRASIL, Nordeste, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Música, Livros, Cinema
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